"deus tem que ser substituído rapidamente por poemas, sílabas sibilantes, lâmpadas acesas, corpos palpáveis, vivos e limpos.
a dor de todas as ruas vazias
sinto-me capaz de caminhar na língua aguçada deste silêncio. e na sua simplicidade, na sua clareza, no seu abismo.sinto-me capaz de acabar com esse vácuo, e de acabar comigo mesmo.
a dor de todas as ruas vazias
mas gosto da noite e do riso de cinzas. gosto do deserto, e do acaso da vida. gosto de enganos, da sorte e de encontros inesperados.pernoito quase sempre no lado sagrado do meu coração, ou onde o medo tem a precaridade de outro corpo.
a dor de todas as ruas vazias
pois bem, mário - o paraíso sabe-se que chega a lisboa na fragata do alfeite.
basta pôr uma lua nervosa no cimo do mastro, e mandar arrear o velame.é isto que é preciso dizer: daqui ninguém sai sem cadastro.
a dor de todas as ruas vazias
sujo os olhos com sangue. chove torrencialmente. o filme acabou. não nos conheceremos nunca.
a dor de todas as ruas vazias
os poemas adormeceram no desassossego da idade. fulguram na perturbação de um tempo cada dia mais curto. e, por vezes, ouço-os no transe da noite. assolam-me as imagens, rasgam-me as metáforas insidiosas, porcas... e nada escrevo.o regresso à escrita terminou. a vida toda fodida - e a alma esburacada por uma agonia tamanho deste mar.
a dor de todas as ruas vazias"
Al Berto
terça-feira, 23 de outubro de 2007
Depois de 3 singelos posts, acho que devo esclarecer todos os que, por engano aqui chegaram.
O blog é meu. Não é escrito para ninguem ler. quem quiser ler, leia. são parvoeiras minhas, coisas que vou escrevendo aqui e ali, e que depois me apetece organizar.
As datas não correspondem, na maior parte, ao dia em que o texto - se assim se pode chamar - foi escrito.
Eu não tenho qualquer tipo de pertensão de ser aplaudida.
Nem gosto de pensar que há alguem a ler isto.
Gosto de acreditar que escrevo so para mim. e apesar de este post ser inicialmente para um alguem, ja deixou de o ser, agora é para mim.
Para me avisar que quem escreveu fui eu. gosto de ler coisas que escrevi há 2 dias e pensar que nunca senti aquilo. mas senti. so que foi há 2 dias. ja passou. era bom que tudo passasse assim.
O blog é meu. Não é escrito para ninguem ler. quem quiser ler, leia. são parvoeiras minhas, coisas que vou escrevendo aqui e ali, e que depois me apetece organizar.
As datas não correspondem, na maior parte, ao dia em que o texto - se assim se pode chamar - foi escrito.
Eu não tenho qualquer tipo de pertensão de ser aplaudida.
Nem gosto de pensar que há alguem a ler isto.
Gosto de acreditar que escrevo so para mim. e apesar de este post ser inicialmente para um alguem, ja deixou de o ser, agora é para mim.
Para me avisar que quem escreveu fui eu. gosto de ler coisas que escrevi há 2 dias e pensar que nunca senti aquilo. mas senti. so que foi há 2 dias. ja passou. era bom que tudo passasse assim.
domingo, 14 de outubro de 2007
A Cru
Gosto das pessoas despidas.
não pelo nú, vulgar.
mas pelo cru. por não terem nada que as separe do ar. nada que as proteja. São frageis em toda a sua força.
Talvez daí gostar dos que se expõem. Sem pudor. Sem embaraço. Sem manias. Só assim...Eles.
Não gosto de grandes talentos reconhecidos [das artes, da escrita, das ciências]. Estão demasiado revestidos de si mesmos para prestarem atenção a algo mais que o seu proprio talento. Além disso, são demasiado cozidos.
não pelo nú, vulgar.
mas pelo cru. por não terem nada que as separe do ar. nada que as proteja. São frageis em toda a sua força.
Talvez daí gostar dos que se expõem. Sem pudor. Sem embaraço. Sem manias. Só assim...Eles.
Não gosto de grandes talentos reconhecidos [das artes, da escrita, das ciências]. Estão demasiado revestidos de si mesmos para prestarem atenção a algo mais que o seu proprio talento. Além disso, são demasiado cozidos.
terça-feira, 9 de outubro de 2007
Observar, essencialmente é observar. observar e absorver. vocábulos parecidos estes.
E tão ligados que chateia. Não se absorve o que não se observa. E observar sem absorver, não é observar.
Tenho vontade de pensar mais. de ver mais coisas, por mais prismas.
Dizem que vem com o tempo. Não Quero! Hoje é que importa. O tempo com que as coisas hão-de vir é amanhã, e amanhã não sei se ainda quero. Apetecia-me tudo agora, de empreitada. Queria fartar-me de ter visto coisas.
Mas não...Dizem que é com o tempo.
E tão ligados que chateia. Não se absorve o que não se observa. E observar sem absorver, não é observar.
Tenho vontade de pensar mais. de ver mais coisas, por mais prismas.
Dizem que vem com o tempo. Não Quero! Hoje é que importa. O tempo com que as coisas hão-de vir é amanhã, e amanhã não sei se ainda quero. Apetecia-me tudo agora, de empreitada. Queria fartar-me de ter visto coisas.
Mas não...Dizem que é com o tempo.
Subscrever:
Mensagens (Atom)